O Rumo Certo

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Então eu saí.
Saí por aí pra ver se a dor passava, para ver se colocava rostos novos na cabeça. Andava cabisbaixo, olhando para os próprios pés, tomando cuidado com os buracos, pois se caísse teria de levantar sozinho e seguir em frente, mas era sempre assim. Em qualquer situação temos que seguir em frente sozinhos.
Atravessei a cidade coberta pelo frio de julho. Andei pelos asfaltos molhados. Para onde ia? Imagino que até Deus duvidava, só caminhava ao meu lado me guiando.
Caminhava na esperança de me perder no rumo certo. Na esperança de despistar a dor em uma das esquinas, de me esconder da angústia nos becos, de encontrar a felicidade. A felicidade que havia se perdido há tanto… Talvez tivesse ficado com medo das multidões de sentimentos e se escondido num lugar tranquilo, mais seguro.
Não. Mentira. Ela havia sido sequestrada pelas pessoas. Não, não por pessoas. Por ela! A moça que disse que me amaria para sempre, que passaria manhãs de domingo na cama lendo o jornal ao meu lado. No fim era uma ladra, ladra de felicidades alheias. Criando o sentimento dentro de suas vítimas e depois o tirando tão rápido que chegava a doer.
Era confuso, na verdade. Alguém dar-se o trabalho de amar, cuidar, se tornar vulnerável e demonstrar sentimentos só para poder machucar alguém…
Continuei andando por horas e ficaria por dias se necessário. Até achar a felicidade roubada em outro alguém. Levaria tempos e tempos, mas valia a pena se perder para achar o rumo certo.

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