Silêncio

London Cityscape

Ele não chora.

Não chorou quando perdeu a avó, não chorou quando teve o coração partido, não chorou ao perder pessoas que ama. Mas ele sentiu remorso e ainda sente, se parar para pensar em tudo que perdeu.

Sente remorso, pois é o que lhe resta. Havia crescido com aquele concepção de que “não adianta chorar sobre o leite derramado”. Portanto não havia razão para chorar quando partiram seu coração, ele deu motivos para tal coisa. Não adiantava chorar a perda da avó, a vida é assim um dia as pessoas estão do seu lado e no outro estão mortas na sua frente. E quanto às pessoas, bem ele deve ter feito algo no meio do trajeto que as fez se distanciarem.

Ele não chora. Ele não sente mais tanto remorso. Ele se afoga em culpa. Culpa-se por não ter aproveitado todas estas coisas enquanto as tinha, culpa-se por ter afastado as pessoas. Talvez essa culpa misturada com a angústia que sente antes de dormir sejam um tipo de choro. Um choro silencioso que não escorre pelo rosto, mas transborda em seus escritos. Um choro que nem os mais próximos de seu coração veem. Um choro acumulado de anos. Pela perda da avó, das pessoas e da amada.

Ele não chora, porém sofre.

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