Relato (Aquele sem título)

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Então foi isso. A maré baixou, estou no topo da montanha russa novamente, os dias mesmo cinzas estão bonitos de novo, o mundo ficou lindo.

“Nossa, Gabriel, fácil assim?”

É, fácil assim. Todo mundo passa por momentos ruins, com aquela vontade de enfiar a cabeça no buraco, de passar o dia na cama e ficar suspirando, olhando pro teto. Na verdade, eu até agradeço pelos meus momentos ruins, ou você nunca ouviu dizer que a dor cria coisas lindas enquanto se cura? Pois é, é verdade.

Não posso dizer que estou totalmente bem. Ainda sinto a tristeza querendo entrar, principalmente nas madrugadas em claro, naquela ida na cozinha no meio da noite e no silêncio da minha cama… e vou confessar que às vezes eu a deixo entrar. Deixo por não saber o que fazer, deixo também porque pra mandá-la embora eu preciso listar tudo que há de bom na minha vida e é tão maravilhoso perceber que essa lista é extensa. Mas a melhor parte de ficar bem novamente são as noites sem sonhos.

As noites que você apaga e acorda até meio pesado pela manhã. Não sinto saudades de ficar acordando agoniado querendo fugir e me ver preso entre quatro paredes. Prefiro acordar e dar graças que elas estão ali.

Chegar do outro lado da corda bamba e poder sair correndo livre com o chão sob seus pés. Sóbrio.

Eu lidei com minha dor sozinho. Houve quem quis ajudar, mas não era necessário conversa, não era necessário presença. Era necessário mudança. Se houve a mudança? Bem, em parte foi minha culpa. Deixando que me magoassem e nunca me impondo. Então sim, houve mudança. De mim, não dos outros.

Posso até perder alguns, vou perder. Posso conhecer outros, quem sabe.

E cara, na real, ninguém se importa com a sua dor, com como ela tá te ferindo. Eles só querem que você fique bem. Não querem saber o que você precisa pra ficar bem, mas querem que você fique. Então meu caro, se você um dia passar pelo o que eu passei (o que eu realmente não quero que te aconteça) se prepare, pois é uma caminhada solitária. Solitária não, você vai estar com sorte se tiver ao menos uma mente esclarecida.

Coisas ruins acontecem, mas as boas também. E de vez em quando no meio da merda toda, você vê um caminho de esperança e se agarra naquilo, naquele caminho que só você sabe como lidar. E essa garra, companheiro, é a fé.

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