Resenha: Triângulo das Águas – Caio Fernando Abreu

Todo mundo tem um livro que comprou há muito tempo por pura empolgação e acabou nem lendo. Pois é, eu tenho vários, mas eu vim falar de um que comprei lá em 2012 quando meu amor pelo autor estava no auge.

Caio Fernando Abreu me encanta desde dá época do Tumblr (sim, faz tempo) e quando vi um livro dele na estante da livraria precisei comprar, mas enfim, anos passaram e foi acumulando pó, mas parece que ele veio no momento exato!

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“Triângulo das Águas” é um livro escrito em 1983. Ele reúne três contos: Dodecaedro, O Marinheiro e Pela Noite (o meu favorito).

Dodecaedro relata a estadia de doze amigos numa cabana durante a madrugada. Tudo se passa no ambiente assustador gerado pela notícia que de “soltaram os cachorros loucos”, fazendo com que os doze tomem medidas drásticas para se salvarem. Porém, o mais diferente é que conhecemos o ponto de vista de cada um dos personagens que compõe a história. Isso torna o conta dividido em doze partes, mas uma é  um gancho para a próxima e a última um gancho (coisa que me fez abrir um sorriso no metrô) com a primeira. Uma das razões que adoro ler contos é que eles sempre me mostram uma final muito inesperado e quando um livro faz isso comigo entra direto para a lista de “minhas paixões”

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O meu parece uma edição de bolso, o que facilitou muito na leitura durante minhas viagens de metrô haha!

O marinheiro é um conto que talvez seja mais fácil de se identificar durante a leitura. Tem traços de um amor que chegou ao fim, de saudades sufocadas, enfim de tudo que eventualmente já passamos. Diferente do primeiro, esse conto não exige a releitura de alguns parágrafos para que se entenda por completo o que se quer dizer. É simples, sincero e se aproxima muito do sentimento de mudança que muita gente tem. Lembra que eu disse que era possível se identificar?

A chegada de um marinheiro misterioso numa noite chuvosa reacende coisas há muito apagadas pelo desamor. Misterioso e ao mesmo tempo amigo de longa data, O marinheiro nos deixa a lição de que a vida segue e tudo o que nos prende para trás deve ser queimado.

E agora o conto que me fez refletir assim que acabei de ler e ficar parado com cara de bobo enquanto o trem parava na plataforma haha.

Pela Noite conta as aventuras de Pérsio e Santiago pelas ruas de São Paulo numa noite fria e chuvosa de julho. O ambiente em que se passa já tem tudo para deixar o conto incrível!

Os dois não são exatamente jovens e ainda assim é um traço que deixa o texto todo interessante, pois eles já carregam desilusões e dores anteriores àquela nova história que está começando. Outra coisa que deixa o conto incrível é a liberdade que ele te dá para ir desenhando os lugares, as cenas, o tom de voz de cada personagem. É o maior conto do livro (ele ocupa metade da obra).

Por fim, é um ótimo livro para passar uma tarde fria. Lembra que eu disse que o que mais me atraía nos contos eram seus finais surpreendentes? Pois então, Pela Noite tem o final mais piegas de todos, mas ainda assim ganhou meu coração.

Acho que mesmo adorando o diferente, os clichês mexem comigo mais do que seria aconselhável!

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