Rua.

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A cidade estava sob uma densa tempestade que tornava impossível enxergar o que estava à nossa frente. Era quase madrugada quando saí porta a fora. Olhava para os meus pés enquanto caminhava, pois é isso que fazem todas as pessoas que se encontram na chuva.

A água em meu rosto escondia minha lágrimas e os trovões abafavam o som da minha agonia. Respiro fundo e sigo para a lanchonete virando a esquina. Sento-me ao balcão e peço uma bebida, pois é isso que fazem as pessoas amarguradas. Tudo está silencioso.

“Noite difícil?” pergunta o garçom.

Tente semanas, pensei. Viro o copo e peço outra dose. Pessoas que andam na chuva olham para baixo, pessoas amarguradas bebem, mas e as perdidas? Não tem jeito? Talvez a resposta estivesse na ardência que a bebida causavam em minha garganta ou naquela água de chuva escorrendo na minha nuca, Não sei e pra falar a verdade não me importava com aquilo.

Jogo o dinheiro no balcão e saio, e ali está a resposta. Pessoas perdidas vão pra rua… Já são 1h15 e a chuva começa a cessar, as ruas estão desertas e os asfaltos molhados, seria lindo se minha dor me deixasse apreciar algo. Caminho em silêncio pela noite, mãos nos bolsos, respiração densa e solitária.

No meio de todo aquele silêncio, o som de um celular ecoa.

“Alô?”, falei com ar sombrio.

“Vem pra casa, vem? Essa cama é muito grande só pra mim… Noites chuvosas são as nossas preferidas, lembra? Então… a gente nem precisa se falar, mas vem ficar aqui do meu lado pra eu dormir sem medo de te perder. Vem, só porque você sabe que é assim que tem que ser.”

Tu, tu.

Lembro-me de achar que aquela cama era o melhor lugar do mundo.

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