Crescer é foda, bicho.

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Oi, faz um tempo né?

Mas aqui estou como nas outras vezes: num escurou sem fim e uma tela aberta à minha frente e um peito cheio (TRANSBORDANDO!) de sentimentos. Mas diferente dos últimos esses sentimentos são bons. Não há mais tanto medo, tanta certeza de não ser alguém bom o suficiente e o mais importante, não tem mais passado.

Ele ficou nos outros textos, nas outras lágrimas que derramei, ficou lá trás. Hoje eu to nesse escuro escrevendo cheio de presente e somente alguns relances do futuro. To é transbordando de alegria, to que não me aguento de tanto sorriso.

Só que agora, eu cresci.

Você está se perguntando o que mais eu tinha pra crescer depois de tanta decepção. Pois é meu caro, eu e você fomos enganados pela nossa prepotência. Aqui estou eu contando como eu mudei e como tá tudo bem, sabia?

Lembra daquele cara que adorava virar a noite por aí e encher a cara? Bom esse cara ainda ama beber e vadiar por aí, mas ele valoriza seu conformo mental e físico quando ele vai embora às 2h da manhã dos lugares. Ele quer beber num domingo a tarde pra poder ver uma série quando chegar em casa, entende? E foi um trabalho bem cansativo pra eu entender isso e entender que tá tudo bem aquietar.

Lembra daquele coração louco que tomava a frente de tudo? Agora ele fez as pazes com a razão e eles começaram a achar um equilíbrio e o coração ficou mais quentinho depois disso. Fora que ele tá bem feliz com o outro coração que tá batendo perto dele.

Crescer é realmente uma construção diária. Você passa anos tendo pique pra mais uma e mais outra, daí chega a época que você se força a ter esse pique e sua cabeça vai pro saco de tanto que você se força a estar nesses lugares em que você não se encontra mais e por fim você aceita que não tem mais esse pique, seus amigos não tem mais esse pique e duas cervejinhas já satisfazem o coração de vocês e as loucuras regadas a bebidas voltam a ser grandes eventos e não algo corriqueiro que você jura que vai parar toda segunda-feira.

E aí, depois dessa luta toda você acha que já é um grande adulto que aceita sua idade e não que só paga os boletos que a sociedade diz que tem, mas aí é que tá: não acaba aí. Vem o processo de deixar pra trás quem cumpriu a missão na sua vida quando você tinha pique.

E essa eu não posso falar muito, porque ainda tá doendo ver a vida fazer esse enorme filtro sem eu pedir, sem eu me preparar. Mas eu vou chegar no ponto que vou aceitar e tudo vai ficar bem, mas enquanto isso não chega eu tenho a certeza de que, pelo menos um pouco, eu cresci.

 

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Caso você esteja chegando

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Se você tá chegando agora, não leva muito em conta o que encontrar. Pensa que essa bagunça um dia já foi arrumação e pode ser de novo, pensa também que talvez eu não esteja percebendo o quão desarrumado tudo está.

Caso você chegue de supetão, dá um grito, avisa pra eu saber, pra eu perceber, pra eu tirar meu olhar da janela do ônibus e talvez abrir um sorriso pra te receber. Se você notar uma falta de brilho no olhar, não repara. Ele ressecou um pouco depois da última tempestade.

Mas também, se não der pra avisar, só fica até eu perceber, não desiste. Vez ou outra eu desisto de remoer o passado e olho em volta. E mesmo depois que você avisar ou eu te ver, não desiste pela minha falta de esperança. Me ajuda acreditar que dessa vez eu posso acreditar, dessa vez eu posso sentir o frio na barriga de novo, que dessa vez tudo vai mudar.

Ah, e se você surgir num fim de tarde, faz um café ou um chá, puxa uma cadeira e senta. A gente fala do mundo, suspiro um pouco sobre os filmes e embaço meus óculos com a temperatura. Se de repente eu não quiser falar, a gente põe uma música pra não se afogar no silêncio. Mas fica, termina sua bebida e fica mais um pouco depois disso.

E depois que você surgir, continua surgindo. No dia seguinte e no outro também. Mesmo com minhas crises, mesmo com minhas vontades de sumir, mesmo que talvez eu queira desistir, vem surgindo.

Surge no meio da chuva e num dia ensolarado. Surge em meio ao caos e da calmaria. Só não surge com o coração cheio de restos de outro alguém, não surge pra não alegrar. Se for assim, nem surge então.

Mas se for surgir mesmo… bom se surgir mesmo a gente o que faz.

Adeus ano velho.

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No ano passado, numa hora dessas, eu provavelmente estaria conversando contigo sobre algum assunto banal, porém 365 dias depois o dia está silencioso. No ano passado poderíamos estar escolhendo se seria café ou cerveja na segunda-feira, porém agora estou escolhendo, entre centenas de filmes, pelo menos um que não me lembre a gente.

Daqui uns dias vai fazer um ano que você partiu, que você disse que não tinha mais como continuar e vai fazer um ano que te perdoei no mesmo instante. Pela minha paz interior, pela sua paz interior e por menos sofrimento nos meus dias. Vai fazer um ano que escolhemos pela cerveja para deixar a nossa conversa mais fácil. Um ano que você acabou com todos os guardanapos da mesa limpando suas lágrimas, mas foi bom que você tenha feito. Você as guardava fazia muito tempo.

Doze meses desde que você disse ao pé do meu ouvido que gostava de mim e fez meu coração bater mais forte, como há muito não acontecia. Doze meses do dia que contei sobre você para os meus amigos e eles notaram um brilho diferente no meu olhar.

Logo vão ter passado 365 dias que eu finalmente entendi que era hora de seguir em frente e te esquecer, ou pelo menos tentar. E depois disso, um ano que eu realmente te esqueci e comecei a te enxergar como um amigo próximo e um amor antigo.

Daí virá o segundo, o terceiro, o quarto ano e por aí vai. E todos os anos que passarem serão lembrados como o dia que aprendi que a paixão acontece em segundos, duas semana podem virar dois anos e um amor pode ser vivido como uma chama que queima forte e depois apaga, pois era assim que deveria acontecer aos olhos do universo.

 

 

305 dias

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Eu te amei por, aproximadamente, 305 dias. Dias variados com saudades, choro, angústia e algumas alegrias quando você resolvia dar o ar da graça para se certificar de que estaria ali quando você precisasse. E eu estava.

305 dias alimentando uma esperança que eu não fui capaz de admitir a mim mesmo que não existia. Criando cenas do meu travesseiro e imaginando sua volta grandiosa que teria como trilha, a primeira música que escutamos juntos. Por falar em música, esses 305 dias foram marcados pelas mais diversas canções, desde as que eram só suas até as que se tornaram nossas e passando pelas que entenderam toda a dor que eu senti. Por 305 dias.

Foram dias de saudade e de sorrisos. De minutos contados para te ver e os mesmos contados para te esquecer. 305 dias que eu te procurei em outras pessoas e foi quase a mesma quantidade de garrafas esvaziadas tentando apagar você.

Cheguei ao dia 306 sem isso. Cheguei nesse dia, livre dos fantasmas e das dores, cheguei com o coração pronto para amar de novo. Amar por mais 300, 600 dias ou até infinitamente.

Você agora vai ficar guardado como uma memória, boa claro, que me ensinou que amar vai além do ter e do estar. É sobre dias em que tudo o que precisamos é lutar.

Talvez amar não seja meu forte

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Não é o amar em si, é o meu amar que é o grande problema. Vem de um jeito que sufoca, que machuca, que alegra também, mas tudo isso a mim não a quem eu amo.

Vem sem restrições, sem equilíbrio. Me entrego por completo esquecendo todos os conselhos que pareceram tao sábios que disse para os meus amigos. Todas as dores anteriores são esquecidas e não considero que pode tudo acontecer de novo e eu vou acabar tendo que passar por mais um processo de recuperação emocional.

Ora, mas isso é bom, né? Esquecendo tudo você pode se entregar de verdade.

Sim, isso é bom, mas não pra mim. Nada disso, no meu caso, é saudável ou aconselhável. Eu esqueço de mim, esqueço da pessoa que eu sou sozinho e meu maior medo, esquecer todos os meus valores. Porque em mim, o amor ocupa um espaço tão grande que parece que não cabe mais nada.

Sem falar no fator 8 ou 80, porque ele existe. Não sei amar devagar, viver num meio termo e nem vem com essa de aprender a amar que pra mim é conformismo e idiotice. Pra mim ou acontece como uma avalanche ou não se move uma pedra.

Talvez eu não tenha nascido para amar. Talvez eu tenha nascido para paixões, para aproveitar os começos, sofrer os fins e se reconstruir com o tempo.Porque sou bicho solto e o amor me prende e isso não é bom. O amor vem pra libertar e acontece pra muita gente, mas não pra mim. Amando eu viro prisioneiro e eu não quero ser prisioneiro.

Então decido que não vou mais amar, que vou viver quietinho, evitando causar muitos danos por aí e até que essa promessa dura um certo tempo, até a próxima avalanche acontecer e acabar com ela.

Eu não fui feito para amar, mas eu amo. Amo como se o amanhã fosse mera lenda. amo como se cada minuto precisasse ser intenso, amo com a força de uma procissão que ora para aquele santo, amo esquecendo de mim, amo mesmo doendo cada parte do meu corpo, amo em cada lágrima que cai, pois elas sempre caem. Amo porque não sei viver sem o amor, porém não sei viver junto dele também.

Ele vai e volta algumas vezes e essa é nossa relação, o que é bom, pois essa distância me dá saudades, mas só dos começos e dos fins, o que acontece entre isso não é pra mim. Afinal, sou o 80 do primeiro beijo e o 8 do “espero que você fique bem”. Sou ápices.