Caso você esteja chegando

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Se você tá chegando agora, não leva muito em conta o que encontrar. Pensa que essa bagunça um dia já foi arrumação e pode ser de novo, pensa também que talvez eu não esteja percebendo o quão desarrumado tudo está.

Caso você chegue de supetão, dá um grito, avisa pra eu saber, pra eu perceber, pra eu tirar meu olhar da janela do ônibus e talvez abrir um sorriso pra te receber. Se você notar uma falta de brilho no olhar, não repara. Ele ressecou um pouco depois da última tempestade.

Mas também, se não der pra avisar, só fica até eu perceber, não desiste. Vez ou outra eu desisto de remoer o passado e olho em volta. E mesmo depois que você avisar ou eu te ver, não desiste pela minha falta de esperança. Me ajuda acreditar que dessa vez eu posso acreditar, dessa vez eu posso sentir o frio na barriga de novo, que dessa vez tudo vai mudar.

Ah, e se você surgir num fim de tarde, faz um café ou um chá, puxa uma cadeira e senta. A gente fala do mundo, suspiro um pouco sobre os filmes e embaço meus óculos com a temperatura. Se de repente eu não quiser falar, a gente põe uma música pra não se afogar no silêncio. Mas fica, termina sua bebida e fica mais um pouco depois disso.

E depois que você surgir, continua surgindo. No dia seguinte e no outro também. Mesmo com minhas crises, mesmo com minhas vontades de sumir, mesmo que talvez eu queira desistir, vem surgindo.

Surge no meio da chuva e num dia ensolarado. Surge em meio ao caos e da calmaria. Só não surge com o coração cheio de restos de outro alguém, não surge pra não alegrar. Se for assim, nem surge então.

Mas se for surgir mesmo… bom se surgir mesmo a gente o que faz.

Adeus ano velho.

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No ano passado, numa hora dessas, eu provavelmente estaria conversando contigo sobre algum assunto banal, porém 365 dias depois o dia está silencioso. No ano passado poderíamos estar escolhendo se seria café ou cerveja na segunda-feira, porém agora estou escolhendo, entre centenas de filmes, pelo menos um que não me lembre a gente.

Daqui uns dias vai fazer um ano que você partiu, que você disse que não tinha mais como continuar e vai fazer um ano que te perdoei no mesmo instante. Pela minha paz interior, pela sua paz interior e por menos sofrimento nos meus dias. Vai fazer um ano que escolhemos pela cerveja para deixar a nossa conversa mais fácil. Um ano que você acabou com todos os guardanapos da mesa limpando suas lágrimas, mas foi bom que você tenha feito. Você as guardava fazia muito tempo.

Doze meses desde que você disse ao pé do meu ouvido que gostava de mim e fez meu coração bater mais forte, como há muito não acontecia. Doze meses do dia que contei sobre você para os meus amigos e eles notaram um brilho diferente no meu olhar.

Logo vão ter passado 365 dias que eu finalmente entendi que era hora de seguir em frente e te esquecer, ou pelo menos tentar. E depois disso, um ano que eu realmente te esqueci e comecei a te enxergar como um amigo próximo e um amor antigo.

Daí virá o segundo, o terceiro, o quarto ano e por aí vai. E todos os anos que passarem serão lembrados como o dia que aprendi que a paixão acontece em segundos, duas semana podem virar dois anos e um amor pode ser vivido como uma chama que queima forte e depois apaga, pois era assim que deveria acontecer aos olhos do universo.