305 dias

original

Eu te amei por, aproximadamente, 305 dias. Dias variados com saudades, choro, angústia e algumas alegrias quando você resolvia dar o ar da graça para se certificar de que estaria ali quando você precisasse. E eu estava.

305 dias alimentando uma esperança que eu não fui capaz de admitir a mim mesmo que não existia. Criando cenas do meu travesseiro e imaginando sua volta grandiosa que teria como trilha, a primeira música que escutamos juntos. Por falar em música, esses 305 dias foram marcados pelas mais diversas canções, desde as que eram só suas até as que se tornaram nossas e passando pelas que entenderam toda a dor que eu senti. Por 305 dias.

Foram dias de saudade e de sorrisos. De minutos contados para te ver e os mesmos contados para te esquecer. 305 dias que eu te procurei em outras pessoas e foi quase a mesma quantidade de garrafas esvaziadas tentando apagar você.

Cheguei ao dia 306 sem isso. Cheguei nesse dia, livre dos fantasmas e das dores, cheguei com o coração pronto para amar de novo. Amar por mais 300, 600 dias ou até infinitamente.

Você agora vai ficar guardado como uma memória, boa claro, que me ensinou que amar vai além do ter e do estar. É sobre dias em que tudo o que precisamos é lutar.

Talvez amar não seja meu forte

analog-boy-guy-nature-nice-Favim.com-420281

Não é o amar em si, é o meu amar que é o grande problema. Vem de um jeito que sufoca, que machuca, que alegra também, mas tudo isso a mim não a quem eu amo.

Vem sem restrições, sem equilíbrio. Me entrego por completo esquecendo todos os conselhos que pareceram tao sábios que disse para os meus amigos. Todas as dores anteriores são esquecidas e não considero que pode tudo acontecer de novo e eu vou acabar tendo que passar por mais um processo de recuperação emocional.

Ora, mas isso é bom, né? Esquecendo tudo você pode se entregar de verdade.

Sim, isso é bom, mas não pra mim. Nada disso, no meu caso, é saudável ou aconselhável. Eu esqueço de mim, esqueço da pessoa que eu sou sozinho e meu maior medo, esquecer todos os meus valores. Porque em mim, o amor ocupa um espaço tão grande que parece que não cabe mais nada.

Sem falar no fator 8 ou 80, porque ele existe. Não sei amar devagar, viver num meio termo e nem vem com essa de aprender a amar que pra mim é conformismo e idiotice. Pra mim ou acontece como uma avalanche ou não se move uma pedra.

Talvez eu não tenha nascido para amar. Talvez eu tenha nascido para paixões, para aproveitar os começos, sofrer os fins e se reconstruir com o tempo.Porque sou bicho solto e o amor me prende e isso não é bom. O amor vem pra libertar e acontece pra muita gente, mas não pra mim. Amando eu viro prisioneiro e eu não quero ser prisioneiro.

Então decido que não vou mais amar, que vou viver quietinho, evitando causar muitos danos por aí e até que essa promessa dura um certo tempo, até a próxima avalanche acontecer e acabar com ela.

Eu não fui feito para amar, mas eu amo. Amo como se o amanhã fosse mera lenda. amo como se cada minuto precisasse ser intenso, amo com a força de uma procissão que ora para aquele santo, amo esquecendo de mim, amo mesmo doendo cada parte do meu corpo, amo em cada lágrima que cai, pois elas sempre caem. Amo porque não sei viver sem o amor, porém não sei viver junto dele também.

Ele vai e volta algumas vezes e essa é nossa relação, o que é bom, pois essa distância me dá saudades, mas só dos começos e dos fins, o que acontece entre isso não é pra mim. Afinal, sou o 80 do primeiro beijo e o 8 do “espero que você fique bem”. Sou ápices.

Resenha: Tá Todo Mundo Mal (Jout Jout)

Para quem não conhece, Jout Jout é dona do canal Jout Jout Prazer no Youtube. um canal problematizador, quebrador de tabus e por muitas vezes polêmico com declarações que parecem simplificar ao máximo nossas vidas. Aliás, nossas crises. E é disso que Jout veio tratar nesse primeiro livro: as crises, de todos mundo e de todos os tipos! Deixa eu explicar melhor.

A autora reuniu 46 textos que contam algumas crises pelas quais ela mesma passou ou viu pessoas próximas passarem. Ela conta como surgiram e como ela resolveu cada uma delas e também como algumas não tem solução a não ser o tempo.

Desde coisas íntimas até a pressão de ser uma grande influenciadora na internet.

variadas 05-6

Parece quase impossível que alguém tenha tantas crises pra montar um livro só com 20 e poucos anos? Pois é, acredite se quiser. Mas para pra pensar um pouco e você descobrirá como você também já teve algumas neuras desnecessárias, algumas dúvidas que pareciam ser enormes no momento e que com o passar do tempo você viu que eram pequenas.

O que me deixou mais maravilhado enquanto eu lia o livro, foi perceber que antes de ser essa pessoa super desconstruída que vemos no youtube, Jout Jout passou por muitas inseguranças, viveu muita esteriótipos que hoje abomina que seguiu o padrão que nos diz que deve ser quebrado.

Jout Jout trata cada uma delas com uma grande leveza e simplicidade na escrita que vão te arrancar sorrisos em qualquer lugar que você as leia.

variadas 05-15

variadas 05-20

Livro Físico

Vamos falar da qualidade do livro em quesito produto.

Eu adorei a diagramação usada, diferenciando o começo de cada texto com o resto dele. A capa também é um grande atrativo pela confusão que ela causa, pois o desenho de Jout Jout está de cabeça para baixo, porém se alguém vê de longe parece que você é quem está lendo ao contrário. Isso é de se gerar uma crise, não? haha

A lombada permanece intacta e isso é motivo de amor pela preocupação que eles tiveram com a integridade do produto quando chegassem às nossas mãos.

variadas 05-9

É um livro que vale a pena mesmo que você não seja um fã do canal da autora e, na verdade, pode ser algo que faça você se interessar por assistir os vídeos, pois muitas das crises já foram citadas rapidamente por lá. Acesse o canal aqui.

Você pode encontrar o livro em qualquer livraria pelo singelo preço de R$ 23,90. Tá Todo Mundo Mal tem só 200 páginas que você vai engolir e vai ter uma crise quando acabar. Pelo menos eu tive haha.

Volte a pé para casa.

H352YHzzp3

Outro dia tive uma entrevista de emprego e por isso saí mais cedo do meu trabalho atual. Era 13h30 e eu estava em pleno metrô, e aquilo já foi me mudando.

A entrevista durou pouco menos de dez minutos. Isso porque eles queriam que e trabalhasse aos sábados e e eu neguei na hora sem nem pensar. Depois disso logo fui embora e fiz uma das melhores decisões da minha vida. Voltei a pé pra casa.

Como estava no centro da minha cidade e minha casa não fica tão longe, resolvi caminhar. E com isso pude ver, ou rever, como uma segunda-feira pode ser maravilhosa. O tempo estava quente e uma brisa gelada batia. O sol enchia as ruas com sua luz e eu pude senti-lo me aquecer e até me fazer tirar o suéter pesado de lã. Pude rever caminhos que há muito não via, virar esquinas que há muito não virava e tudo isso antes das 4 da tarde de uma segunda. Isso fez eu me sentir o cara mais sortudo do planeta.

Senti novamente a energia de entardecer que reina pelas ruas, energia essa pela qual já fui muito contagiado e notei como me fazia falta. Redescobri como tem vida pelas ruas de tarde.

Eu poderia ter pego um ônibus, ter chegado mais rápido em casa, porém estaria preso numa caixa como faço todos os dias. Voltar a pé foi um voo, um salto em busca de liberdade. Foi me permitir reencontrar com a cidade que estava a minha volta em todos esses 20 anos e perceber como ela continua a mesma dos meus 16 quando eu vagava por aí depois da escola.

Volte a pé pra casa, se reencontre, reencontre o universo a sua volta. Deixe a lotação de lado e se não for possível, desça alguns pontos antes e caminhe, mas faça isso olhando em volta, respirando fundo, fechando os olhos. Faça de dentro pra fora.

Volte a pé e agradece por aquelas ruas tão limitas, pois se perder nelas te fez ter coragem de se achar pelo mundo. Volte a pé por quem você é. Volte a pé só pra ser.

O que eu descobri longe de você.

boy-hipster-landscape-nature-photography-Favim.com-420025

Eu não vou mais prometer que não vai ter mais textos sobre você, pois descobri que é impossível. Descobri que não tem como você não existir em cada manhã, em cada música que costumávamos trocar porque era a nossa cara ou porque era o que estávamos sentindo.

Descobri que meses podem parecer anos se houver distância e nesses “anos” descobri tantas nuances da saudade que até fiquei surpreso como um sentimento pode trazer tanta coisa à tona. Traz o sorriso no meio do metrô ao lembrar tudo e logo em seguida traz a raiva de não entender o porquê do fim, traz também o aperto no peito antes de dormir.

Essas músicas que falei no começo? Não estou nem perto de superá-las, mas descobri o poder que elas têm de me transportar de volta. Ah, o seu perfume não é dos mais exclusivos, o que é uma das piores coisas das quais fiquei sabendo, isso porque seu cheiro está por todo o lado. Mas me conforta saber que ele era único nos meus braços e abraços.

Descobri muito sobre mim, também. Como eu ainda sou aquele menino de catorze anos que leva meses ou até anos para esquecer uma mágoa. Descobri que tentar seguir em frente com uma ferida aberta, não é a melhor opção. Por mais que digam: ”saia para se distrair” você vai comigo a cada canto.

Tá nítido que a superação ainda não aconteceu, né? Não tive mais sintonias como a nossa, não tive mais sensações iguais às que eu tinha ao seu lado e isso vai durar um tempo ainda, eu já aceitei e lido com isso todos os dias que vivo sem você.

De texto em texto vou abrindo espaço para um dia te esquecer. Não prometo que serão poucos nem curtos,mas prometo que são todos escritos com todo o meu eu que ainda sente muito por você.