305 dias

original

Eu te amei por, aproximadamente, 305 dias. Dias variados com saudades, choro, angústia e algumas alegrias quando você resolvia dar o ar da graça para se certificar de que estaria ali quando você precisasse. E eu estava.

305 dias alimentando uma esperança que eu não fui capaz de admitir a mim mesmo que não existia. Criando cenas do meu travesseiro e imaginando sua volta grandiosa que teria como trilha, a primeira música que escutamos juntos. Por falar em música, esses 305 dias foram marcados pelas mais diversas canções, desde as que eram só suas até as que se tornaram nossas e passando pelas que entenderam toda a dor que eu senti. Por 305 dias.

Foram dias de saudade e de sorrisos. De minutos contados para te ver e os mesmos contados para te esquecer. 305 dias que eu te procurei em outras pessoas e foi quase a mesma quantidade de garrafas esvaziadas tentando apagar você.

Cheguei ao dia 306 sem isso. Cheguei nesse dia, livre dos fantasmas e das dores, cheguei com o coração pronto para amar de novo. Amar por mais 300, 600 dias ou até infinitamente.

Você agora vai ficar guardado como uma memória, boa claro, que me ensinou que amar vai além do ter e do estar. É sobre dias em que tudo o que precisamos é lutar.

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Volte a pé para casa.

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Outro dia tive uma entrevista de emprego e por isso saí mais cedo do meu trabalho atual. Era 13h30 e eu estava em pleno metrô, e aquilo já foi me mudando.

A entrevista durou pouco menos de dez minutos. Isso porque eles queriam que e trabalhasse aos sábados e e eu neguei na hora sem nem pensar. Depois disso logo fui embora e fiz uma das melhores decisões da minha vida. Voltei a pé pra casa.

Como estava no centro da minha cidade e minha casa não fica tão longe, resolvi caminhar. E com isso pude ver, ou rever, como uma segunda-feira pode ser maravilhosa. O tempo estava quente e uma brisa gelada batia. O sol enchia as ruas com sua luz e eu pude senti-lo me aquecer e até me fazer tirar o suéter pesado de lã. Pude rever caminhos que há muito não via, virar esquinas que há muito não virava e tudo isso antes das 4 da tarde de uma segunda. Isso fez eu me sentir o cara mais sortudo do planeta.

Senti novamente a energia de entardecer que reina pelas ruas, energia essa pela qual já fui muito contagiado e notei como me fazia falta. Redescobri como tem vida pelas ruas de tarde.

Eu poderia ter pego um ônibus, ter chegado mais rápido em casa, porém estaria preso numa caixa como faço todos os dias. Voltar a pé foi um voo, um salto em busca de liberdade. Foi me permitir reencontrar com a cidade que estava a minha volta em todos esses 20 anos e perceber como ela continua a mesma dos meus 16 quando eu vagava por aí depois da escola.

Volte a pé pra casa, se reencontre, reencontre o universo a sua volta. Deixe a lotação de lado e se não for possível, desça alguns pontos antes e caminhe, mas faça isso olhando em volta, respirando fundo, fechando os olhos. Faça de dentro pra fora.

Volte a pé e agradece por aquelas ruas tão limitas, pois se perder nelas te fez ter coragem de se achar pelo mundo. Volte a pé por quem você é. Volte a pé só pra ser.